A manhã chega devagar,
como quem respeita o silêncio do que sinto por você.
E no primeiro raio de luz,
é o teu rosto que o meu pensamento desenha.
Há algo no teu olhar
que desacelera o tempo —
como se o mundo entendesse
que ali… é onde eu devo ficar.
Teu nome mora em mim
nos pequenos espaços do dia:
no café ainda quente,
no vento leve da janela,
na pausa entre um suspiro e outro.
E quando a saudade vem,
não dói como antes —
ela me abraça,
porque carrega tua presença mesmo na distância.
Amar você
não foi um acontecimento…
foi uma transformação silenciosa,
dessas que a gente só percebe
quando já não é mais o mesmo.
Se existir um lugar seguro no mundo,
eu sei exatamente onde é:
no instante em que teu olhar encontra o meu
e o tempo, por um segundo, decide ficar.
— Augusto Alves
