COMO ESCOLHER PRODUTOS CERTOS PARA SEU TIPO DE PELE
A pele é o maior órgão do corpo humano e exerce funções essenciais, como proteção contra agentes externos, regulação térmica e manutenção da hidratação corporal. Por esse motivo, os cuidados com a pele vão além de uma questão estética, estando diretamente relacionados à saúde e ao bem-estar. No contexto atual, observa-se uma ampla oferta de produtos cosméticos no mercado, o que pode dificultar a escolha adequada para cada tipo de pele. A seleção incorreta desses produtos pode resultar em irritações, desequilíbrios cutâneos e agravamento de condições dermatológicas preexistentes. Dessa forma, compreender as características da pele e os critérios para a escolha adequada de produtos é fundamental para a promoção da saúde cutânea.
A pele humana pode ser classificada, de modo geral, em quatro tipos principais: normal, seca, oleosa e mista, podendo ainda apresentar condições específicas, como sensibilidade, acne ou tendência à hiperpigmentação. Segundo Azulay, Azulay-Abulafia e Azulay (2017), a identificação correta do tipo de pele é o primeiro passo para a definição de uma rotina de cuidados eficaz, uma vez que cada tipo possui necessidades distintas. A pele oleosa, por exemplo, caracteriza-se pela produção excessiva de sebo, enquanto a pele seca apresenta deficiência na produção de lipídios, o que compromete sua função de barreira.
Nesse sentido, a escolha dos produtos cosméticos deve considerar não apenas o tipo de pele, mas também sua condição momentânea e fatores externos, como clima, idade e estilo de vida. Conforme afirmam Draelos (2018), “o uso de produtos inadequados pode alterar o equilíbrio natural da pele, favorecendo processos inflamatórios e disfunções da barreira cutânea” (DRAELOS, 2018, p. 42). Essa citação direta curta reforça a importância da seleção criteriosa de cosméticos, especialmente no que diz respeito a sabonetes, hidratantes e fotoprotetores.
Os produtos de limpeza, por exemplo, devem ser escolhidos com cautela, pois exercem impacto direto no pH da pele. De acordo com Poljsak, Dahmane e Godić (2012), a manutenção do pH levemente ácido é essencial para preservar a microbiota cutânea e evitar o ressecamento excessivo. Assim, pessoas com pele seca devem optar por sabonetes suaves e hidratantes, enquanto aquelas com pele oleosa se beneficiam de formulações que auxiliem no controle da oleosidade sem causar efeito rebote. Trata-se de uma abordagem que evidencia a necessidade de equilibrar eficácia e segurança no cuidado diário.
Outro aspecto relevante na escolha dos produtos é a análise dos rótulos e da composição dos cosméticos. Ingredientes como álcool, fragrâncias artificiais e conservantes agressivos podem causar reações adversas, especialmente em peles sensíveis. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2022), a leitura atenta dos rótulos permite ao consumidor identificar substâncias potencialmente irritantes e selecionar produtos mais compatíveis com suas necessidades. Dessa forma, a educação do consumidor torna-se um elemento central na promoção do uso consciente de cosméticos.
Além disso, o uso diário de fotoprotetores adequados ao tipo de pele é amplamente recomendado pela literatura científica. A exposição excessiva à radiação ultravioleta está associada ao envelhecimento precoce e ao desenvolvimento de câncer de pele. Conforme destacado por Farage et al. (2008), a proteção solar é um dos principais fatores extrínsecos capazes de retardar os danos cutâneos ao longo do tempo. Para peles oleosas, indicam-se filtros com toque seco, enquanto peles secas se beneficiam de produtos com ação hidratante associada.
Portanto, escolher os produtos certos para o tipo de pele exige conhecimento, atenção e, sempre que possível, orientação profissional. A consulta com dermatologistas contribui para uma avaliação individualizada e para a prevenção de danos decorrentes do uso inadequado de cosméticos. Conclui-se que a adoção de critérios técnicos e científicos na seleção dos produtos não apenas melhora a aparência da pele, mas também fortalece sua função protetora, promovendo saúde e qualidade de vida. Assim, o cuidado consciente com a pele deve ser compreendido como uma prática contínua e fundamentada em informações confiáveis.
REFERÊNCIAS
ANVISA. Cosméticos: informações para o consumidor. Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa. Acesso em: 4 jan. 2026.
AZULAY, R. D.; AZULAY-ABULAFIA, L.; AZULAY, D. R. Dermatologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
DRAELOS, Z. D. Cosmetic dermatology: products and procedures. 2. ed. Hoboken: Wiley-Blackwell, 2018.
FARAGE, M. A.; MILLER, K. W.; ELSNER, P.; MAIBACH, H. I. Intrinsic and extrinsic factors in skin ageing. International Journal of Cosmetic Science, v. 30, n. 2, p. 87–95, 2008. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com. Acesso em: 4 jan. 2026.
POLJSAK, B.; DAHMANE, R.; GODIĆ, A. Intrinsic skin aging: the role of oxidative stress. Acta Dermatovenerologica Alpina, Pannonica et Adriatica, v. 21, n. 2, p. 33–36, 2012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em: 4 jan. 2026.


